PARTILHANDO O 5º TEMPO

Mylene Machado Schmitt
Núcleo de Espiritualidade Inaciana

Terminei as “Pegadas Inacianas”, conclui o caminho: ledo engano.

Iniciei o Projeto “Nas Pegadas de Inácio” em maio de 2009; a cada “Tempo” que participava, um novo horizonte despontava. São cinco “Tempos”, sendo o último, concluído agora em julho: um retiro propriamente dito nos moldes dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio, com seis dias de profundo silêncio.

Como partilhar essa vivência? Que palavras traduziriam um momento tão intenso de contato com Deus e comigo? Como externar o turbilhão de sentimentos, às vezes contraditórios, que nos invade quando nos deparamos com o Desconhecido, mas profundamente almejado?

O que vem muito forte no meu coração é a sensação de descer uma Montanha Russa! Sim, aquela de parque de diversões, mas uma bem grande, com looping e tudo.

Quando fui para a última etapa sabia como estava programado o retiro: que seriam de seis dias, nos moldes dos Exercícios Espirituais (EE); que teríamos momentos de Pontos de Oração e momentos de Oração Pessoal regados no Silêncio Interior.

Quando vamos ao parque de diversões vemos a Montanha Russa, observamos seu traçado, imaginamos como serão os momentos de maior ação e optamos por entrar no carrinho. Ao fazer os EE eu optei por entrar no carrinho! Mal sabia o quanto de ação isso me traria.

No começo é fácil, a subida do carrinho é suave tanto quanto o início dos EE, conhecer Jesus e se apaixonar por Ele é maravilhoso. Mas tudo que muito sobe, desce com maior intensidade, e a primeira descida da Montanha Russa é uma das “piores”. É um misto de satisfação e desespero, que dura uma eternidade, mas que logo passa. Aí vem o looping, de cabeça para baixo até parece que não pensamos mais, que insanidade, o que eu estou fazendo aqui? E não é possível desistir. Só resta esperar o término do percurso, o fim da linha.

Nos EE senti algo muito semelhante a essa descida, esta sensação de satisfação de estar em retiro, mascerta desolação pelos males que afligem a humanidade e também a mim. Estes altos e baixos mechem profundamente com o nosso ser, nosso modo de ver o mundo, de estar inserido nele, de estar a serviço do Reino.

O carrinho chega ao fim da linha, chegamos com um misto de satisfação e apreensão; no retiro também, chegamos ao fim com a sensação de superação, e, como no brinquedo, com a vontade de ir mais uma vez.